UM BLOG PEDAGÓGICO E CULTURAL A SERVIÇO DE ESTUDANTES, PROFESSORES, PESQUISADORES E INTERESSADOS EM GERAL.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
SOCIALIZAÇÃO.
Contatos sociais
Ao dar uma aula, o
professor entra em contato com seus alunos. O cliente e o vendedor de uma loja
estabelecem contato na hora da venda de uma mercadoria, Duas pessoas conversando também participam de um contato social. A convivência humana pressupõe uma grande
variedade de tipos de contatos sociais. Você mesmo pode se relacionar de
diversas formas, por exemplo, pela maneira como adquire seus livros escolares,
ou pelos contatos sociais que manteve para chegar até a
atual etapa de sua educação formal.
O contato social está na origem da vida em sociedade. É o primeiro passo para que ocorra qualquer associação humana. Por meio dele, as pessoas estabelecem relações sociais, criando laços de identidade,
formas de atuação e comportamento que são a base da constituição dos grupos sociais e da sociedade.
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Tipos de contatos sociais
Existem dois tipos de
contatos sociais: primários e secundários.
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Contatos sociais primários. São os contatos pessoais,
diretos, e que têm uma forte base emocional, pois
as pessoas envolvidas compartilham suas experiências
individuais. São exemplos de contatos
sociais primários: os familiares (entre
pais e filhos, entre irmãos, entre marido e mulher);
os de vizinhança; as relações sociais na escola, no clube etc. As primeiras experiências do indivíduo se fazem com base em contatos
sociais primários.
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Contatos sociais secundários. São oscontatos impessoais, calculados, formais. Dois exemplos: o contato
do passageiro com o cobrador
do ônibus
para pagar a passagem; o contato do cliente
com o caixa do banco para descontar
um cheque. São também
considerados secundários os contatos impessoais mantidos por meio de carta, telefone, telegrama, e-mail etc.
CIÊNCIAS SOCIAIS E SUA DIVISÃO.
O comportamento humano é
muito complexo e diversificado. Cada indivíduo recebe influências de seu meio, forma-se de determinada maneira e age no
contexto social de acordo com
sua formação. O
indivíduo
aprende com o meio, mas também pode transformá-lo em
sua ação
social.
Há comportamentos
estritamente individuais - como andar, respirar, dormir - que se originam na pessoa
enquanto organismo biológico. São
comportamentos estudados pelas Ciências Físicas
e Biológicas. Por outro lado,
receber salário, fazer greve, participar
de reuniões, assistir aulas,
casar-se, educar os filhos são comportamentos sociais, pois se desenvolvem no contexto da sociedade.
Ao longo da História,
a espécie humana tem organizado sua
vida de forma grupal, As Ciências Sociais pesquisam e
estudam o comportamento social humano e suas várias formas de
manifestação.
Pode-se dizer que as Ciências
Sociais caracterizam-se pelo estudo sistemático do comportamento social do ser humano. Dessa
forma, o objeto das Ciências Sociais é o ser humano em suas relações sociais.
Ao mesmo tempo, as Ciências
Sociais tem por objetivo ampliar o conhecimento sobre o ser humano em suas interações sociais e estudar a ação social em suas diversas
dimensões. Ao realizar esse objetivo, as Ciências Sociais contribuem para um
melhor entendimento da sociedade em que vivemos, fornecendo instrumentos que
podem ajudar a transformá-la.
Disciplinas em que se dividem as Ciências Sociais
Com o avanço do conhecimento da
sociedade, tornou-se necessária a divisão das Ciências Sociais em diversas áreas de conhecimento, de modo a facilitar a sistematização dos estudos e das pesquisas. Essa divisão abrange atualmente as seguintes disciplinas:
Sociologia - Estuda as relações
sociais e as formas de associação, considerando as in-terações que ocorrem na vida em sociedade. A Sociologia
envolve, portanto, o estudo dos grupos e dos fatos sociais, da divisão da sociedade em classes e camadas, da mobilidade social, dos processos
de cooperação, competição e conflito na sociedade etc.
Economia - Tem por objeto as atividades humanas ligadas à produção, circulação, distribuição e consumo de bens e
serviços. Portanto, são fenómenos estudados pela
Economia
a distribuição da renda num país, a política salarial, a
produtividade de uma empresa etc.
Antropologia - Estuda e pesquisa as semelhanças e as diferenças culturais entre
os vários agrupamentos humanos,
assim como a origem e a
evolução das
culturas. Além de
estudar a cultura dos povos pré-letrados, a Antropologia ocupa-se também da diversidade cultural existente nas sociedades
industriais. São objetos de estudo da
Antropologia os tipos de organização familiar, as
religiões, a magia, os ritos de iniciação dos jovens, o casamento etc.
Ciência
Política -
Ocupa-se da distribuição de
poder na sociedade, assim como da formação e do desenvolvimento das diversas formas de governo, É a Ciência Política que estuda, por exemplo, os partidos políticos, os mecanismos eleitorais etc.
Não existe uma divisão nítida entre essas disciplinas. Embora cada uma das Ciências Sociais
esteja voltada preferencialmente para um aspecto da realidade social, elas são complementares entre si e atuam frequentemente juntas
para explicar os complexos fenómenos da vida em
sociedade.
Oliveira, P. S. de. FUNDAMENTOS SOCIOLÓGICOS. São Paulo:
Ed. Ática, 2010, p. 92 e 93.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A FILOSOFIA ANTIGA - PRÉ-SOCRÁTICOS.
- O Pré-Socrátíco (entre os anos 700 e 450 a.C. aproximadamente).
Este período começa com o surgimento de Tales de Mileto, considerado o pai
de toda a Filosofia e Cultura Ocidental, e vai até o surgimento do famoso
Sócrates de Atenas, o mais legendário e simbólico de todos os filósofos.
- O Clássico (entre 450 e 300 a.C. aproximadamente).
É o mais importante período da Filosofia antiga. Nele se desenvolveram
teorias e obras muitíssimo estudadas em nossas universidades até os dias de hoje. Os principais filósofos deste período foram Sócrates de Atenas, Platão de
Atenas e Aristóteles de Estagira.
Cabe ressaltar que este período é considerado o mais importante da
Filosofia Antiga porque deu-se no apogeu da civilização grega, em particular na Atenas
democrática.
- O Alexandrino ou Helenistíco (entre 300 a.C. e 200 d.C. aproximadamente).
Neste período destacaram-se os sucessores de Platão e Aristóteles, e também
a Filosofia Estóica, a Epicurista e a Cética.
- O Greco-Romano (entre 200 e 530 d.C.).
Este período é caracterizado pelo surgimento da Filosofia cristã e a sua
fusão com a Filosofia grega. Nele se destacam os filósofos Sêneca, Plotino, Hermes
Trismegisto, Porfirio, Plutarco, Proclo e Simplício.
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A ESCOLA JÔNICA.
Fugindo das invasões dóricas, os gregos de Micenas refagiaram-se no oeste
da Ásia Menor, numa região denominada Jônia. Lá fundaram algumas cidades, dentre as
quais se destacou Mileto. O desenvolvimento do comércio e a abundância do ouro
fez com que lá surgissem grandes centros nos quais desenvolveu-se uma fértil
atividade cultural. Foi na Jônia que nasceu a Filosofia.
Além da sua Filosofia, na qual se discutia principalmente a questão da
mutabilidade da natureza, os Jônicos desenvolveram a Astronomia e a Matemática, em função
de conhecimentos adquiridos de contatos com povos do Oriente.
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TALES DE MILETO
Tales viveu entre os séculos VII e VI
a.C., e,
sobre a sua vida contam-se vários episódios.
Matemático e astrónomo, previu um eclipse solar que ocorreu no ano de 585
a.C.(?). Dizem que certa vez, distraído observando os astros, caiu num poço.
Enriqueceu devido às suas eximias habilidades de comerciante.
É considerado o "Pai da Filosofia e de toda a Cultura Ocidental".
Tales provavelmente nada escreveu. De sua Filosofia só restam os
comentários sobre a mesma, de autoria dos filósofos posteriores (doxografia).
A matemática secundarista nos ensina o famoso "Teorema de Tales".
Segundo os seus comentadores, Tales afirmava que na natureza existia um
único elemento primordial (a arché) a partir do qual tudo se origina; esta arché, para
Tales seria a água.
A água encontra-se presente em tudo. Em todos os organismos vivos existe a
umidade. Ao resfriar-se, a água se condensaria, dando origem à terra; ao aquecer-se
tornaria-se ar que retornaria á terra em forma de chuva. Deste ciclo surgiria a vida
animal e vegetal.
A própria Terra seria um disco que flutua sobre as águas.
Podemos perceber que as especulações pré-científicas de Tales parecem
insuficientes para explicar a origem do Universo, porém deve-se considerar que
Tales apenas iniciou uma busca que existe até hoje na construção do conhecimento.
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HERÁCLITO DE
ÉFESO
Heráclito viveu entre os anos de 536 e 470 a.C. na cidade de Éfeso, na
região da Jônia.
De sua vida só se
sabe que pertencia a uma família de aristocratas, e só não se tornou rei porque cedeu esta honra a seu irmão.
No período em que os persas dominaram Éfeso, o Imperador Dario I convidou
Heráclito para transmitir-lhe os seus conhecimentos, dos quais pouco entendeu.
Heráclito ficou
conhecido como "O Obscuro", pois escrevia de forma enigmática curtas frases (aforismos) de difícil entendimento.
Do seu livro "Sobre a Natureza", chegaram até nós pouquíssimos
fragmentos, sobre os quais ainda restam dúvidas sobre sua autenticidade. Fora
tais documentos,
existem os comentários doxográficos.
Segundo Heráclito, a physis é regulada por uma única lei universal imutável
- a lei do Logos - o princípio que se esconde por trás de todas coisas da natureza.
Segundo a lei do Logos nada permanece, nada é eterno, tudo está em constante transformação, constante movimento.
A arché de Heráclito é o fogo. O fogo nunca está parado, as chamas
estão em constante movimento. O fogo a tudo destrói; por um movimento
descendente (condensação), as coisas afetadas pelo fogo tornam-se terra; por um
movimento ascendente (rarefação) tomam-se ar; pela condensação do ar surge a
agua que se evapora em contato com o fogo.
Na natureza nada é, tudo é um eterno fluir, um "vir-a-ser".
Heráclito formulou também a teoria da "Harmonia dos Contrários",
a qual diz que o constante movimento das coisas se dá através de um combate das forças
naturais contrárias entre si, um combate harmónico no qual se configura a lei do
Logos.
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A ESCOLA ELEATA.
No século VI a.C., os persas
invadiram a Jônia. Fugindo dos persas, os Jônios da Foécia (ao norte de Mileto)
fundaram a cidade de Eléia no sul da Itália.
Ao contrário da escola Jónica cujos filósofos afirmavam que a natureza é um
imenso conjunto
de forças contrarias em constante combate, os filósofos Eleatas afirmavam que é
impossível
que a natureza pudesse formar uma unidade através de forças contrárias, sendo
absurda a transformação constante.
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PARMÊNIDES DE ELÉIA.
Parmênides viveu entre os anos de 515 e 440 a.C.
Além de filósofo foi um grande político. Provavelmente teve contato com a
seita dos Pitagóricos, cuja doutrina combateu posteriormente.
Escreveu um poema cujo titulo é “Sobre a Natureza”, onde expõe os princípios de sua
Filosofia.
Algo que estaria em constante mudança seria algo contraditório consigo
mesmo, não podendo portanto existir na natureza algo assim.
Tudo o que existe na natureza é único, eterno e imutável, sem variações.
Ao contrário das afirmações dos Jónicos, Parmênides negava o
"vir-a-ser" de Heráclito, afirmando que "o ser é, e o não-ser não é;
nada que não é ser jamais pode vir-a-ser", ou seja, na natureza nada muda,
tudo é eterno, tudo permanece. Parmênides compara a natureza a uma esfera, que é uma
totalidade completa em si própria na qual todas as partes equilibradamente
possuem igual distância de seu centro.
Este pensamento, difícil de ser compreendido, lançou as bases da Metafísica
(meta - além e physis- natureza). A metafísica seria então a parte abstrata
das coisas, a sua essência, a qual não pode existir materialmente mas só em espirito
(pensamento).
Ao contrário dos Jônicos que buscavam a arché que é um elemento material no
qual estaria a origem da natureza, Parmênides não procurava este princípio na matéria.
Por isto é considerado o primeiro metafísico da história da Filosofia.
O ser para Parmênides seria o próprio pensamento. Ser e pensar seria a
mesma coisa. Além de estabelecer as bases da metafísica, Parmênides, ao estabelecer o
"princípio de identidade" entre ser e pensamento, estabeleceu as bases da Lógica.
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OUTROS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS.
Não menos importantes que os filósofos descritos anteriormente, existiram
outros grandes expoentes da Filosofia no período Pré-Socrático que foram:
ANAXIMANDRO DE MELETO (610 - 547 a.C.) - Jônico, sua arché seria o ápeiron - o indeterminado.
ANAXÍMENES DE MILETO (585 - 528(5) a.C.) - Também jônico, defendia que a
arché seria
o ar.
PITÁGORAS DE SAMOS (580(78) - 497(6) a.C.) - A ele é atribuída a invenção
da palavra Filosofia, amante da sabedoria. A escola por ele fundada (a
Pitagórica) assumiu
características de seita mística secreta. A ele é atribuída a elaboração do
famoso "Teorema de Pitágoras".
A Escola Pitagórica é uma das mais importantes de toda a história da
Filosofia.
Para os Pitagóricos, o número seria a essência do todo existente.
ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENAS (500 - 428 a.C.) - Afirmava que o voua (nous -espírito ou
inteligência) é a origem do movimento e da pluralidade, sendo a natureza
composta não por uma arché, ou por quatro elementos, mas por incontáveis elementos.
DEMÓCRITO DE ABDERA (460 - 370 a.C.) - Desenvolveu a teoria atomista, que é
fundamental
até os dias de hoje para a química. Nela afirmava que a matéria é composta por infinitas partículas
não divisíveis, e que tais partículas chamavam-se aiofioo (átomos -indivisíveis).
LEUCIPO DE MILETO (500 - ? a.C.) - Mestre de Demócrito, lançou as bases da
teoria atomista.
MELISSO DE SAMOS (444(1) - ? a.C.) - Foi defensor das teorias eleáticas.
FILOLAU DE CROTONA (séc. V a.C.) - Um dos maiores pitagóricos, foi mestre
de Demócrito
e Arquitas. studou a matemática acima de tudo, concebendo a entidade abstraía da
matemática - o numero - como a chave de explicação do Universo.
ZENON DE ELÉIA (504(1) - ? a.C.) - Discípulo de Parmênides, formulou o
curioso paradoxo de "Aquiles e a Tartaruga", pelo qual nega as teorias
jónicas do movimento constante da natureza.
EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO (490 - 435 a.C.) - Procurou fazer uma fusão das
teorias jônicas com as eleáticas. Segundo Empédocles, a natureza é composta por
quatro elementos: água, ar, terra e fogo, sendo o ser eterno e indivisível, mas
não imóvel.
ARQUITAS DE TARENTO (400 - 365 a.C.) - Grande pitagórico, acredita-se ter
sido o fundador
da mecânica cientifica. Foi amigo de Platão.
XENÓFANES DE COLOFÃO (570 - 528 a.C.) - Viveu em diversas cidades gregas, e
parece
ter tido afinidade com as teorias eleatas, o que é duvidoso. Foi crítico de
Tales e de Pitágoras.
Por Douglas Gregorio.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
MITO E FILOSOFIA.
A
PASSAGEM DO PENSAMENTO MÍTICO PARA O FILOSÓFICO
Um
dos modos talvez mais simples e menos polêmicos de se caracterizar a filosofia
é através de sua historia - forma de pensamento que nasce na Grécia antiga, por
volta do séc. VI a.C. [...]
Se
afirmamos que o conhecimento científico, de cuja tradição somos herdeiros,
surge na Grécia por volta do séc. VI a.C., nosso primeiro passo deverá ser
procurar entender porque se considera que esse novo tipo de pensamento aparece
aí pela primeira vez e o que significa essa “ciência” cujo surgimento coincide
coma a emergência do pensamento filosófico.
Quando
dizemos que o pensamento filosófico-científico surge nana Grécia,
caracterizando-o como uma forma especifica de o homem tentar entender o mundo
que o cerca, isto não quer dizer que anteriormente não houvesse também outras
formas de se entender essa realidade. É precisamente a especificidade do
pensamento filosófico-científico que tentaremos explicitar aqui, contrastando-o
com o pensamento mítico que lhe antecede na cultura grega. Procuraremos
destacar as características de uma e de outra forma de explicação do real.
O
pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais
da realidade em que vive: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos
processos naturais e as origens deste povo deste povo, bem como seus valores
básicos. O mito caracteriza-se, sobretudo pelo modo como estas explicações são
dadas, ou seja, pelo tipo de discurso que constitui. O próprio termo grego mythos
significa um tipo bastante especial de discurso, o discurso fictício ou
imaginário, sendo por vezes até mesmo sinônimo de “mentira”. [...]
Por
ser parte de uma tradição cultural, o mito configura assim a própria visão de
mundo dos indivíduos, a sua maneira mesmo de vivencia esta realidade. Nesse
sentido, o pensamento mítico pressupõe a adesão, aceitação dos individuas, na
medida em que constitui as formas de sua experiência do real. O mito não se
justifica, não se fundamenta, portanto, nem se presta ao questionamento, à
crítica ou à correção. Não há discussão do mito porque ele constitui a própria
visão de mundo dos indivíduos pertencentes a uma determinada sociedade, tendo,
portanto um caráter global que exclui outras perspectivas a partir das quais
ele poderia ser discutido. [...]
Um
dos elementos centrais do pensamento mítico e de sua forma de explicar a
realidade é o apelo ao sobrenatural, ao mistério, ao sagrado, à magia. As
causas dos fenômenos naturais, aquilo que acontece aos homens, tudo é governado
por uma realidade exterior ao mundo humano e natural, superior, misteriosa,
divina, a qual só os sacerdotes, os magos, os iniciados, são capazes de
interpretar, ainda que apenas parcialmente. [...]
É
Aristóteles... que afirma ser Tales de Mileto, no séc. VI a.C., o iniciador do
pensamento filosófico-científico. Podemos considerar que este pensamento nasce
basicamente de uma insatisfação como o tipo de explicação do real que
encontramos no pensamento mítico. De fato, desse ponto de vista, o pensamento
mítico tem uma característica até certo ponto paradoxal. Se, por um lado,
pretende fornecer uma explicação da realidade, por outro lado, recorre nessa
explicação ao mistério e ao sobrenatural, ou seja, exatamente àquilo que não se
pode explicar, que não se pode compreender por estar fora do plano da
compreensão humana.
É
nesse sentido que a tentativa dos primeiros filósofos será de buscar uma
explicação do mundo natural (a physis, daí o nosso termo “física”)
baseada essencialmente em causas naturais... A chave de explicação do mundo de
nossa experiência estaria então, para esses pensadores. No próprio mundo, e não
fora dele, em alguma realidade misteriosa e inacessível.
O
pensamento filosófico-científico representa assim uma ruptura bastante radical
com o pensamento mítico, enquanto forma de explicar a realidade.
Entretanto,
se o pensamento filosófico-científico surge pro volta do séc. VI a.C., essa
ruptura com o pensamento mítico não se dá de forma completa e imediata. Ou
seja, o surgimento desse novo tipo de explicação não significa o
desaparecimento por completo do mito, do qual alas sobrevivem muitos elementos
mesmo em nossa sociedade contemporânea, em nossas crenças, superstições,
fantasias, etc., isto é, em nosso imaginário. O mito sobrevive ainda que vá
progressivamente mudando de função, passando a ser antes parte da tradição
cultural do provo grego do que a forma básica de explicação da realidade. [...]
É
claro que essa mudança de papel do pensamento mítico, bem como a perda de seu
poder explicativo resultam de um longo período de transição e de transformação
da própria sociedade grega, que tornam possível o surgimento do pensamento
filosófico-científico no séc. VI a.C. O pensamento mítico, com seu apelo ao
sobrenatural e aos mistérios, vai assim deixando de satisfazer as necessidades
da nova organização social, mais preocupada com a realidade concreta, com a
atividade política mais intensa e com as trocas comerciais. É nesse contexto
que o pensamento filosófico-científico encontrará as condições favoráveis para seu
nascimento. [...]
O
caráter global, absoluto, da explicação mítica teria se enfraquecido no
confronto entre os diferentes mitos e tradições, revelando-se assim sua origem
cultura: o fato de que cada povo tem sua forma de ver o mundo, suas tradições e
seus valores. Ao mesmo tempo, em uma sociedade dedicada as praticas comerciais
e aos interesses pragmáticos, as tradições míticas e religiosas vão perdendo
progressivamente sua importância. Esta é uma hipótese que parece razoável, de
um ponto de vista histórico e sociológico, e mesmo geográfico e econômico, para
a explicação do surgimento do tipo de pensamento inaugurado pro Tales e pela
chamada Escola de Mileto, naquele momento e naquele contexto.
MARCONDES,
Danilo. Iniciação à História de Filosofia. Dos Pré-socráticos a
Wittgensteisn. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. 7ª Edição.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
FILOSOFIA - INTRODUÇÃO.
A Filosofia não é, portanto, uma ciência, porque ela não possui um objeto de estudo definido, nem uma abordagem metódica deste mesmo objeto.
Ela tampouco é algum tipo de religião, porque baseia-se na racionalidade, ou ainda na reflexão sobre a racionalidade, e não na fé, como é característica das religiões.
A Filosofia não apresenta uma definição, um enunciado a partir do qual podemos afirmar “isto se trata de Filosofia”. Ela é uma MODALIDADE DE CONHECIMENTO, assim como é a ciência, a arte, a religião.
Assim sendo, vamos acompanhar o que a filósofa Marilena Chauí nos fala a respeito da Filosofia:
Ela tampouco é algum tipo de religião, porque baseia-se na racionalidade, ou ainda na reflexão sobre a racionalidade, e não na fé, como é característica das religiões.
A Filosofia não apresenta uma definição, um enunciado a partir do qual podemos afirmar “isto se trata de Filosofia”. Ela é uma MODALIDADE DE CONHECIMENTO, assim como é a ciência, a arte, a religião.
Assim sendo, vamos acompanhar o que a filósofa Marilena Chauí nos fala a respeito da Filosofia:
Podemos dizer que a Filosofia surge quando os seres humanos começam a exigir provas e justificações racionais que validem ou invalidem as crenças cotidianas.
Por que racionais? Por três motivos principais: em primeiro lugar, porque racional significa argumentado, debatido e compreendido; em segundo, porque racional significa que, ao argumentar e debater, queremos conhecer as condições e os pressupostos de nossos pensamentos e os dos outros; em terceiro, porque racional significa respeitar certas regras de coerência do pensamento para que um argumento ou um debate tenham sentido, chegando a conclusões que podem ser compreendidas, discutidas, aceitas e respeitadas por outros.
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A atitude crítica
A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não aos "pré-conceitos", aos "pré-juízos", aos fatos e às ideias da experiência cotidiana, ao que "todo mundo diz e pensa", ao estabelecido. Numa palavra, é colocar entre parênteses nossas crenças para poder interrogar quais são suas causas e qual é seu sentido.
A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre opor-quê e o como disso tudo e de nós próprios. "O que é?", "Por que é?", "Como é?". Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.
A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica. Por que "crítica"?
Em geral, julgamos que a palavra crítica significa "ser do contra", dizer que tudo vai mal, que tudo está errado, que tudo é feio ou desagradável. Em geral, crítica é mau humor, coisa de gente chata ou pretensiosa que acha que sabe mais que os outros. Mas não é isso que essa palavra quer dizer.
A palavra crítica vem do grego e possui três sentidos principais: 1) capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame racional de todas as coisas sem preconceito e sem prejulgamento; 3) atividade de examinar e avaliar detalhadamente uma ideia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra artística ou científica. A atitude filosófica é uma atitude crítica porque preenche esses três significados da noção de crítica, a qual, como se observa, é inseparável da noção de racional, que vimos anteriormente.
A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do dia a dia para que possam ser avaliados racional e criticamente. Por isso começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber ou, como dizia Sócrates, começamos a buscar o conhecimento quando somos capazes de dizer: "Só sei que nada sei".
Para Platão, o discípulo de Sócrates, a Filosofia começa com a admiração ou, como escreve seu discípulo Aristóteles, a Filosofia começa com o espanto: "... pois os homens começam e começaram sempre a filosofar movidos pelo espanto (...}. Aquele que se coloca uma dificuldade e se espanta reconhece sua própria ignorância. (...). De sorte que, se filosofaram, foi para fugir da ignorância".
Admiração e espanto significam que reconhecemos nossa ignorância e exatamente por isso podemos superá-la. Nós nos espantamos quando, por meio de nosso pensamento, tomamos distância do nosso mundo costumeiro, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, por que somos e como somos.
A Filosofia inicia sua investigação num momento muito preciso: naquele instante em que abandonamos nossas certezas cotidianas e não dispomos de nada para substituí-las ou para preencher a lacuna deixada por elas. Em outras palavras, a Filosofia se interessa por aquele instante em que a realidade natural (o mundo das coisas) e a realidade histórico-social (o mundo dos homens) tornam-se estranhas, espantosas, incompreensíveis e enigmáticas, quando as opiniões estabelecidas disponíveis já não nos podem satisfazer.
Ou seja, a Filosofia se volta preferencialmente para os momentos de crise no pensamento, na linguagem e na ação, pois é nesses momentos críticos que se manifesta mais claramente a exigência de fundamentação das ideias. dos discursos e das práticas.
Assim como cada um de nós, quando possui desejo de saber, vai em direção à atitude filosófica ao perceber contradições, incoerências, ambiguidades ou incompatibi lidades entre nossas crenças cotidianas, também a Filosofia tem especial interesse pelos momentos de crise ou momentos críticos, quando sistemas religiosos, éticos, políticos, científicos e artísticos estabelecidos apresentam contradições internas ou contradizem-se uns aos outros e buscam transformações e mudanças cujo sentido ainda não está claro e precisa ser compreendido.
A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não aos "pré-conceitos", aos "pré-juízos", aos fatos e às ideias da experiência cotidiana, ao que "todo mundo diz e pensa", ao estabelecido. Numa palavra, é colocar entre parênteses nossas crenças para poder interrogar quais são suas causas e qual é seu sentido.
A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre opor-quê e o como disso tudo e de nós próprios. "O que é?", "Por que é?", "Como é?". Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.
A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica. Por que "crítica"?
Em geral, julgamos que a palavra crítica significa "ser do contra", dizer que tudo vai mal, que tudo está errado, que tudo é feio ou desagradável. Em geral, crítica é mau humor, coisa de gente chata ou pretensiosa que acha que sabe mais que os outros. Mas não é isso que essa palavra quer dizer.
A palavra crítica vem do grego e possui três sentidos principais: 1) capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame racional de todas as coisas sem preconceito e sem prejulgamento; 3) atividade de examinar e avaliar detalhadamente uma ideia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra artística ou científica. A atitude filosófica é uma atitude crítica porque preenche esses três significados da noção de crítica, a qual, como se observa, é inseparável da noção de racional, que vimos anteriormente.
A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do dia a dia para que possam ser avaliados racional e criticamente. Por isso começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber ou, como dizia Sócrates, começamos a buscar o conhecimento quando somos capazes de dizer: "Só sei que nada sei".
Para Platão, o discípulo de Sócrates, a Filosofia começa com a admiração ou, como escreve seu discípulo Aristóteles, a Filosofia começa com o espanto: "... pois os homens começam e começaram sempre a filosofar movidos pelo espanto (...}. Aquele que se coloca uma dificuldade e se espanta reconhece sua própria ignorância. (...). De sorte que, se filosofaram, foi para fugir da ignorância".
Admiração e espanto significam que reconhecemos nossa ignorância e exatamente por isso podemos superá-la. Nós nos espantamos quando, por meio de nosso pensamento, tomamos distância do nosso mundo costumeiro, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, por que somos e como somos.
A Filosofia inicia sua investigação num momento muito preciso: naquele instante em que abandonamos nossas certezas cotidianas e não dispomos de nada para substituí-las ou para preencher a lacuna deixada por elas. Em outras palavras, a Filosofia se interessa por aquele instante em que a realidade natural (o mundo das coisas) e a realidade histórico-social (o mundo dos homens) tornam-se estranhas, espantosas, incompreensíveis e enigmáticas, quando as opiniões estabelecidas disponíveis já não nos podem satisfazer.
Ou seja, a Filosofia se volta preferencialmente para os momentos de crise no pensamento, na linguagem e na ação, pois é nesses momentos críticos que se manifesta mais claramente a exigência de fundamentação das ideias. dos discursos e das práticas.
Assim como cada um de nós, quando possui desejo de saber, vai em direção à atitude filosófica ao perceber contradições, incoerências, ambiguidades ou incompatibi lidades entre nossas crenças cotidianas, também a Filosofia tem especial interesse pelos momentos de crise ou momentos críticos, quando sistemas religiosos, éticos, políticos, científicos e artísticos estabelecidos apresentam contradições internas ou contradizem-se uns aos outros e buscam transformações e mudanças cujo sentido ainda não está claro e precisa ser compreendido.
Chauí, M. FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS. São Paulo: Ed. Ática, 2010. p. 14.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Está começando 2012...
Estamos começando o ano de 2012. Seja bem-vindo. Que tenhamos o ânimo de enfrentar os desafios e dificuldades de viver num país e num mundo que atravessa significativas e profundas mudanças nos mais variados campos: economia, cultura, religião, política entre outros. Que estas mudanças nos tragam positividade e esperança de obter de nossos esforços o melhor possível para cada um de nós, individualmente, como para a coletividade em que estamos inseridos.
sábado, 1 de outubro de 2011
DEUS SALVE A RAINHA.
O ano era 1975, e eu era uma criança com menos de dez anos. Fiquei fascinado com o comercial da então rádio Excelsior, a “Máquina do Som”, do grupo Globo; durante os desenhos matutinos, o comercial era veiculado. Ele mostrava um clip de uma banda de rock cujo vocalista, vestido com um macacão colado no corpo, dividido em preto e branco cantava We Are the Champions.
Tratava-se da banda de rock Queen. Nunca mais a esqueci.
Com menos de dez anos de idade tornei-me um fã. A esquisitice criativa e ao mesmo tempo simples de We Will Rock You me cativou. Depois, vieram incontáveis sucessos e, na adolescência, 19 de março de 1981, dia do meu aniversário, o Queen tocava pela primeira vez no Brasil, no Morumbi em São Paulo.
Passei a colecionar os discos do Queen, e ainda tenho em meu poder todos os vinis que adquiri até a morte de Freddie Mercury em 1991. Ao amanhecer do dia 25 de novembro daquele ano, liguei o rádio pela manhã e recebi a notícia. Paixão, admiração, prazer e emoção em ouvir o Queen desaparecia para mim naquele instante – hoje, só gravações.
Acredito que depois dos Beatles, o Queen seja a banda de rock mais popular do mundo, e, se conhecer os sucessos do Queen encabeçados por Bohemian Rapsody, Somebody to Love, Radio Gaga entre muitos outros, é fascinante, mais fascinante ainda é conhecer toda a obra do Queen e apreciar formidáveis trabalhos pouco conhecidos como White Man, Ogre Battle, I´m Love With in My Car, Jesus, In the Lap of the Gods entre dezenas de outros. Sinto a falta de Freddie Mercury, sinto a falta do Queen, o mundo do rock sente a falta desta banda genial que jamais será esquecida.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
I Olimpíada de Filosofia do Estado de São Paulo.
No próximo dia 24 de setembro, estará ocorrendo na Univ. Federal do Grande ABC a I Olimpíada de Filosofia do Estado de São Paulo, com o tema: O mundo é admirável?! O que nos torna plenamente humanos?
O evento é voltado para alunos do ensino médio do Estado de São Paulo, aberto à participação de alunos de outros Estados.
Apesar da denominação olimpíada, o objetivo do evento não é o de promover uma competição, mas sim promover a colaboração, a interação e o intercâmbio entre estudantes, professores e escolas em torno da questão do desafio que representa a Filosofia no ensino médio.
O evento é recomendado pela UNESCO através de seu programa Filosofia e Democracia no Mundo, e ocorre em vários países da América Latina. No Brasil, além do Estado de São Paulo que o promove pela primeira vez, o Rio Grande do Sul já realizou quatro edições.
Os alunos do Colégio Metodista encararam com bastante entusiasmo o desafio de estar participando da I Olimpíada de Filosofia, apresentando pré-trabalhos a partir de técnicas e linguagens diversas como: curta-metragens, apresentações em Power Point, Movie Maker e afins; a partir da proposta semiótica, isto é, deixar que signos e símbolos falem por si para além das linguagens convencionais escrita e falada, foram construídos sob diferentes focos e abordagens apresentações hipertextuais, isto é, abertas para construção e reconstrução constantes através da interação e colaboração de interlocutores, tendo sido selecionados no total quatro trabalhos que vão compor o painel que levará como título o tema do evento.
Coordenado pelo prof. Douglas Gregorio com o apoio da Profa. Maria Bernadete, podemos esperar uma significativa contribuição dos alunos do Colégio Metodista para este evento, torcendo pelo sucesso geral para que estas Olimpíadas venham a se tornar uma tradição no Estado de São Paulo.
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